[:pb]Um dos balizadores do preço do gás natural no Atlântico Sul é, e será, o Henry Hub que até agora tem se mantido próximo aos US $ 3 por milhão de BTU ( British Thermal Unit). Isso permite estimar um preço de gás natural liquefeito – GNL – por volta de US $ 8 a US $10 por MBTU nas costas brasileiras.

Contudo, neste final de 2018 e início do próximo ano, no período de inverno, o prognóstico é que o preço do gás tenha elevação expressiva.

Variações no clima e nos preços

Em San Antonio no Texas, a temperatura atingiu uma baixa de 27, em novembro deste ano, quebrando um recorde de 102 anos para meados de novembro. Com temperaturas tão baixas, não é surpresa que o preço do gás natural por lá tenha subido quase 18%.

Em paralelo, o Energy Information Administration (EIA) informa que o armazenamento de gás natural nos 48 estados dos EUA está abaixo da média dos últimos cinco anos.

Com essa combinação, os traders elevaram os preços do gás natural à maior alta em quatro anos, ou seja para US $4,84 por milhão de BTU.

Enquanto isso, a negociação de contratos futuros de gás natural bateu 1,2 milhões de metros cúbicos por dia, recorde em todos os tempos, de acordo com o CME Group.

Gás natural e petróleo batem recordes

Temperaturas congelantes aumentam a demanda por aquecimento, muito deste fornecido pelo gás natural. Em janeiro de 2018, quando as temperaturas caíram abaixo da média em muitas partes dos EUA, a demanda atingiu um recorde de 4,5 bilhões de metros cúbicos em um só dia.

Não se pode dizer que esse recorde será batido nos próximos meses, mas previsões de menores temperaturas devem apoiar movimentos de elevação do preço do gás natural para a casa dos US $ 7 ou US $ 8 por MBTU, nível que não se vê desde 2008.

Contudo, o gás natural não foi a única commodity a quebrar recordes no mês de novembro. O preço do petróleo Brent encerrou um período extraordinário de 12 dias consecutivos de perdas, chegando a US $ 64,38 por barril, diante de preocupações de uma desaceleração da demanda global. A queda foi uma das mais íngremes em três anos, acompanhada de uma impressionante reversão dos pedidos de compra.

O futuro dos combustíveis 

Passado o período de inverno nos continentes acima da linha do Equador, a previsão é de que o uso de combustíveis fósseis continuará a ser crescente. O “World Energy Outlook 2018”, com sede em Paris, diz que o consumo mundial de petróleo aumentará significativamente nas próximas décadas devido à petroquímica, transporte rodoviário e demanda de aviação.

A Agência Internacional de Energia (IEA) dos Estados Unidos, prevê déficit de oferta de petróleo no mundo a partir de 2025, sugerindo que, para cobri-lo, o xisto dos EUA precisará adicionar o equivalente a toda a produção de petróleo da Rússia.

A produção de petróleo de xisto já se expande em ritmo recorde, mas para suprir esse déficit terá que adicionar no mercado mais de 10 milhões de barris por dia, a partir de hoje à 2025, o que será uma façanha sem precedentes, de acordo com o IEA. Os EUA produziram 11,7 milhões de barris de petróleo por dia na primeira semana deste novembro.

É um desafio, mas também uma possibilidade real. A indústria de fracking continua a provar que pode produzir mais com menos. De acordo com um relatório recente do IEA, a produção de petróleo bruto e gás natural dos EUA aumentou em 2017, apesar de haver menos poços.

Isso se deve, em grande parte, à produtividade dos poços horizontais, que entram em contato com mais rocha reservatório e, portanto, produzem maiores volumes de petróleo e gás. Embora mais caro para perfurar, os número de poços horizontais está crescendo mais rapidamente do que poços verticais tradicionais. Em 2017, eles representaram 13% do total de perfurações de poços, contra apenas 10 por cento há três anos.

O Gás Natural é um recurso de grande potencial. Não deixe de conferir nosso panorama a respeito do Gás Natural no Brasil.

 

[:]