A busca pela redução dos custos na cadeia produtiva de empresas e indústrias é sempre uma das pautas mais relevantes para seus gestores e administradores. Produzir mais (quando existe demanda) ou por meio de um processo mais eficiente a um custo menor.

Essa preocupação se torna ainda mais importante em tempos de baixo crescimento econômico, como tem acontecido recentemente no Brasil. No que diz respeito ao setor elétrico, os consumidores têm, na geração própria, uma oportunidade para diminuir seus custos com energia e assegurar o fornecimento.

Para as empresas que estão no “mercado cativo”, ou seja, cujo fornecimento de energia é suprido pela distribuidora ao qual a mesma está conectada, a alternativa tem sido o investimento em Geração Distribuída, por meio de mini e microgeração, que teve crescimento bastante significativo nos últimos anos.

Já para as empresas que migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) – consumidores livres, a alternativa para o suprimento próprio é via autoprodução, processo pelo qual ele produz a energia para suprir parte ou todo seu consumo. É esperado que, na próxima década, o setor energético tenha elevada expansão de consumo suprido via autoprodução, conforme mencionado no Plano Decenal de Expansão de Energia – 2027 (PDE 2017), divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE em 2018.

A autoprodução não é um assunto novo e está em pauta já há algum tempo. Nesse blog já discutimos o assunto em outros artigos. No texto  “A autoprodução e suas vantagens” de agosto/2017 apresentamos conceitos gerais e no “Autoprodução e as mudanças previstas na consulta pública 33” de maio/2018, apresentamos as possibilidades de alterações regulatórias via Consulta Púbica (CP) 33 de 2017.

A redução do consumo de energia elétrica nos últimos anos, atrelada ao baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que reduz consequentemente a produção de vários setores industriais, dentre outros fatores, contribuiu para que a geração de energia elétrica ganhasse papel fundamental na composição de receita dos autoprodutores, empresas e indústrias, que geralmente não possuem a atividade de  geração e comercialização de energia elétrica como core bussiness.

A autonomia e gestão da energia consumida, assim como a mitigação de riscos perante o mercado, são alguns dos principais benefícios da autoprodução. Outro diferencial relevante é a possibilidade de exportação do excedente de geração para a rede, ou seja, quando a geração é maior do que o consumo total.  Essa operação torna ainda mais atrativo o resultado da autoprodução para as empresas, que pode se tornar maior ou menor a depender das condições de mercado e da estratégia de comercialização realizada.

Além da autossuficiência na energia, que por si só já é muito positiva, outro aspecto bastante favorável está na possibilidade de abatimento dos encargos setoriais por meio da alocação de geração própria de energia para os consumidores que fazem uso de autoprodução.

Aprofundando um pouco mais sobre o tema que, por muitas vezes, é motivo de dúvida entre os consumidores, os encargos mencionados acima são relativos à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ao Programa de Incentivos de Fontes Alternativas (PROINFA) e à Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis dos Sistemas Isolados (CCC) . Assim, o benefício proporcionado pela alocação de geração pode ser observado diretamente na redução na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) ou Transmissão (TUST) por meio do abatimento desses encargos. A figura 1 mostra a exemplificação dos benefícios nas componentes globais que compõem o custo com energia de um consumidor livre com geração própria.

Figura 1: Visualização macro da composição da conta de energia para o autoprodutor.

Menor custo, maior segurança, confiabilidade e geração descentralizada são os principais diferenciais que fazem esse tipo de atividade uma estratégia bastante interessante para os consumidores.

Ficou com alguma dúvida ou tem interesse em saber mais sobre o tema? A Ecom conta com uma equipe de especialistas que pode auxiliar sua empresa no estudo, aplicação e operacionalização em assuntos relacionados à autoprodução, visando a melhor estratégia de comercialização para o cliente.