O governo vai decidir se a partir de janeiro de 2020 será implementado o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) em base horária. As mais recentes indicações são de que, mais uma vez, sua adoção será postergada, o que mostra a resistência de alguns agentes à novidade e a dificuldade de se incorporar alterações regulatórias que reflitam a mudança da matriz.

A questão é discutida há pelo menos dez anos, mas ganhou força com o lançamento da Consulta Pública (CP) nº 33, lançada pelo governo Temer em julho de 2017. Desde então, Empresa de Pesquisas Energéticas, Operador Nacional do Sistema, Aneel e agentes discutem sua adoção.

O PLD, referência para contratos de compra e venda de energia no mercado livre, é o preço calculado da energia liquidada no mercado de curto prazo de energia elétrica e atualmente é calculado em base semanal. Com o avanço de fontes intermitentes, como eólicas e solares, adotar o mecanismo propicia maior precisão aos preços. No Nordeste, a geração de energia eólica é maior de madrugada, com ventos mais fortes, enquanto boa parte do consumo se dá à tarde ou à noite. O sistema propicia maior aderência entre preço e operação, permitindo que o fato de uma turbina sair de operação ou retornar de forma antecipada seja capturado no mecanismo de precificação.

Os preços horários são essenciais para termos sinais econômicos melhores. É fundamental que entrem o mais rápido possível, obviamente com responsabilidade. O que está em jogo é mais transparência para a operação e mercado e oportunidades para novos produtos e serviços”, afirma o presidente da PSR, Luiz Barroso. “Talvez o mercado tenha subestimado a implementação real em 2020, não sei. Os agentes estão inseguros também, pois obviamente há impactos. Só que a grande verdade é que ninguém sabe o tamanho dos impactos pois simulações prospectivas não estão sendo realizadas”, complementa Barroso, principal formulador das medidas que constam da consulta pública 33, lançada em 2017 e que trata da modernização do setor elétrico.

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Outro benefício é que o mecanismo possibilita valorizar mais a geração que ocorre na hora que o sistema mais precisa, destaca Barroso. “Podemos ver a criação de produtos mais sofisticados com a adoção do PLD horário, o sistema começará a ganhar complexidade com a diversificação da matriz”, diz Paulo Toledo, da Ecom Energia.

O mecanismo traz riscos e exige nova gestão. As usinas eólicas produzem energia durante a noite, quando os ventos são mais favoráveis e o preço da energia é baixo em função da pouca demanda da carga. Porém, durante o dia, quando o preço da energia atinge seu pico no começo da tarde por conta da alta demanda e da temperatura, os parques eólicos não têm muita capacidade de produção. Em um cenário de PLD horário, com aportes de garantias e liquidações financeiras diárias, isso pode provocar uma exposição financeira grande no mercado de curto prazo para os geradores eólicos”.

Fonte: Valor Econômico