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title: Comercializador de energia 4.0 e os avanços no mercado livre
description: Apesar de desafiador, o cenário do setor de energia caminha a passos largos em direção a uma série de avanços. Essa conjuntura, sobretudo força grandes mud
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# [Comercializador de energia 4.0 e os avanços no mercado livre](https://ecomenergia.com.br/blog/comercializador-de-energia-e-os-avancos-no-mercado-livre)

 Escrito por [marcio-santanna](https://ecomenergia.com.br/blog/author/marcio-santanna) | Sep 3, 2021 3:00:00 AM

Apesar de desafiador, o cenário do setor de energia caminha a passos largos em direção a uma série de avanços. Essa conjuntura, sobretudo força grandes mudanças no comercializador de energia, que agora segue o conceito 4.0. Além disso, pautas importantes têm aquecido o setor, como a crise hídrica e a alta das tarifas. Em contrapartida, há outros tópicos que revelam um horizonte promissor para a energia elétrica no Brasil.

Diante da grave crise de escassez de água nos reservatórios hidrelétricos, o **Operador Nacional do Sistema Elétrico** ([**ONS**](http://www.ons.org.br/)) lançou recentemente novo alerta sobre os desafios do setor elétrico brasileiro neste ano. O aviso da entidade indica que a capacidade de geração de energia do país pode chegar ao limite em novembro.

Simultaneamente, esse panorama puxa a alta das tarifas de energia elétrica, agora por meio da Bandeira Tarifária “Escassez Hídrica”, estipulada pela Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG), no valor de R$ 14,20 a cada 100 kWh, e terá vigência de 1 º de setembro/2021 a 30 de abril/2022, provocando aumento de 6,78% na tarifa média dos consumidores regulados. Nesse ínterim, vale ressaltar que os consumidores que estão no mercado livre, e que já tinham energia contratada, fogem desse custo adicional. Por outro lado, os consumidores no mercado cativo não têm [essa liberdade de negociação prévia de contratos](https://ecomenergia.com.br/blog/liberdade-de-escolha-no-setor-eletrico-brasileiro/), portanto ficam reféns das tarifas.

Além disso, a pandemia no Brasil continua provocando impactos socioeconômicos importantes. O ritmo de vacinação em massa, por exemplo, ainda não imunizou totalmente nem a metade da população. Com isso, a melhora da atividade econômica e o crescimento da população empregada ainda não foram suficientes para amenizar o choque causado pela Covid-19.

## Apesar da crise econômica, o consumo de energia tem alta

Mesmo com toda essa movimentação, tivemos aumento do consumo de energia elétrica no país. Por exemplo, em maio, o acréscimo foi de 12,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso representa um volume consumido de 62.1 gigawatts médios. A alta foi puxada pelo mercado livre de energia, com crescimento de 26,2%. Ao passo que, o mercado regulado, que tem o preço definido pela [**Aneel**](https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjzz4mF05fxAhWVr5UCHbf1B-oQFjAAegQICRAD&url=https%3A%2F%2Fwww.aneel.gov.br%2F&usg=AOvVaw2kkdnzNhZ-ni8M4fwBkKBe) (Agência Nacional de Energia Elétrica), cresceu apenas 6,2%, de acordo com a [**CCEE**](https://www.ccee.org.br/portal/faces/pages_publico/o-que-fazemos/infomercado/info_mercado_interativo?contentId=CCEE_663218&_adf.ctrl-state=159gtg8msw_147&_afrLoop=228980136103760#!) (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Nesse meio tempo, há também a excelente possibilidade de [abertura integral do mercado livre de energia](https://ecomenergia.com.br/blog/abertura-do-mercado-de-energia-eletrica-brasileiro/). Essa expansão prevê a participação de consumidores menores, inclusive os residenciais, a partir de 2024.

Enfim, recheado de assuntos quentes, o cenário pode criar um ambiente de ameaças à primeira vista. No entanto, não há dúvida de que o nosso olhar segue na direção das tendências e oportunidades para médio e longo prazos, principalmente no mercado livre de energia. Dessa forma, os desafios bastante conhecidos do setor ganham uma nova e positiva dimensão.

## **Modernização do setor e transição energética estão entre os avanços mais aguardados pelo mercado de energia**

Tendências setoriais, tecnológicas e de mercado devem criar novos espaços de atuação e incrementar complexidades a serem exploradas pelo comercializador de energia. Nesse sentido vimos, somente neste ano, a [chegada do PLD Horário](https://ecomenergia.com.br/podcast/giro-energia-pld-horario/) e a plataforma de [derivativos de energia se tornarem realidade](https://ecomenergia.com.br/talks/derivativos-de-energia-em-2021/). Isso sem mencionar o [novo mercado de gás](https://conteudo.ecomenergia.com.br/lp-form-webinar-mercado-livre-de-gas-27-04), prestes a despontar no Brasil. Além disso, podemos citar também o crescimento do uso das fontes renováveis de energia e da [negociação de I-RECs](https://ecomenergia.com.br/blog/certificacao-de-energia-renovavel/).

Entre as tendências para o setor energético no pós-Covid, segundo mais recente estudo da [**KPMG**](https://home.kpmg/br/pt/home.htmlhttps:/home.kpmg/br/pt/home.html), somam-se:

- avanço regulatório em prol da transição energética;
- modernização do setor elétrico;
- aceleração da implantação de empreendimentos renováveis;
- definições regulatórias e impacto cambial como *drivers* da expansão da Geração Distribuída;
- avanço no processo de privatização;
- [práticas ESG](https://ecomenergia.com.br/blog/esg-no-brasil-impulsiona-energia-renovavel/) e certificados de origem impulsionando ainda mais as energias renováveis;
- segurança cibernética como pauta prioritária;
- sofisticação da gestão dos processos de comercialização e amadurecimento gradual do mercado de derivativos;
- maior atenção aos ativos de transmissão e ao impacto de mudança do regime de chuvas sobre a produção de energia hidrelétrica.

### Amadurecimento do setor elétrico demanda novos produtos ao comercializador de energia

Com isso, vemos um claro amadurecimento do setor energético, em especial do mercado livre, em que o comercializador de energia deixa de ser visto apenas como comprador e vendedor do insumo. Atualmente, o [comercializador de energia deve atuar como fornecedor de soluções](https://conteudo.ecomenergia.com.br/ecom-talks-08-10-comercializadoras-4-0). Em face de tantas expectativas, as empresas do segmento seguem com novas estratégias para oferecer serviços ainda mais completos.

Tal sofisticação e complexidade demandada pela evolução do mercado de energia, na verdade, têm facilitado a criação de novos produtos pelas comercializadoras. Por consequência, elas direcionam um leque ainda mais interessante de opções para os consumidores. Em outras palavras, o gerenciamento aliado a uma inteligência de mercado avançada e madura se tornará cada vez mais importante na relação entre comercializadoras e compradores de energia, criando oportunidades para ambas as partes.

## **Mercado livre exige gestão mais eficiente** a fim de criar oportunidades para comercializador de energia e consumidor

O mercado está mudando e não há dúvidas de que os avanços serão ainda maiores. Por exemplo, o PLD Horário criou a necessidade de uma gestão mais complexa e impôs um novo controle de risco para o comercializador de energia.

Da mesma forma os *traders* têm aprendido novas maneiras de administrar o risco e já entendem que uma gestão financeira mais eficiente é mandatória. Essa situação vai exigir parcerias cada vez mais próximas entre clientes e comercializadoras, tanto com atendimento interno ou por meio do suporte de novas tecnologias.

De forma geral, aumentar o percentual de redução com os custos de energia será uma corrida mais do que necessária. Nesse contexto, com [geração distribuída solar](https://ecomenergia.com.br/talks/energia-compartilhada-geracao-distribuida/), autoprodução, PLD, automação, deslocamento da demanda, armazenamento, baterias; aumentando a exigência do mercado como um todo.

Assim também, os derivativos abrem contratos financeiros, que poderão criar benefícios tributários. Um produto muito bem-vindo para baixar o custo alto da energia, o qual demandará de um relacionamento mais estreito entre quem vende e quem compra.

### Gestão de recursos continua sendo um dos maiores desafios para as empresas no Brasil

Por fim, a eficiência operacional e a gestão de recursos continuam sendo os maiores desafios para as empresas. Entre eles, a energia elétrica continuará entre os seus três maiores custos na operação. Ou seja, uma fatia estratégica relevante onde os centavos podem fazer a diferença. É nesse momento que as comercializadoras devem mostram que a migração, que hoje oferece possibilidades de redução do custo com energia de até 30%, tem muito outros benefícios. Inclusive, com adesão à autoprodução de energia. Em resumo, a inteligência dessa gestão será o passo mais marcante das comercializadoras 4.0. E não há limite para os avanços desse mix, que reúne tecnologia e digitalização do setor. Ademais, o mercado também conta com mão de obra cada vez mais especializada, inteligência de mercado de alto nível e uma forte parceria estratégica, muito mais próxima ao cliente.

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