No décimo primeiro episódio do Giro Energia, o podcast desenvolvido e patrocinado pela Ecom Energia, vamos falar sobre PLD Horário. Depois de sucessivos adiamentos, o PLD Horário deverá entrar em operação em primeiro de janeiro de 2021 e, possivelmente, será um marco para o setor elétrico. Como resultado, surgem as perguntas: O que é preciso saber para conhecer mais sobre o tema? Quais serão os impactos? Isso sofisticará o mercado? Novos produtos serão criados? Portanto, para responder a isso, conversamos com Talita Porto, conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); Roberto Brandão, membro do Grupo de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum.

O PLD, ou Preço de Liquidação de Diferenças, é o preço calculado da energia liquidada no mercado de curto prazo de energia elétrica. Hoje, de fato, é calculado em base semanal. Com o avanço de fontes intermitentes, como eólicas e solares, adotar o mecanismo em base horária propicia maior precisão aos preços. A CCEE está preparada para que o PLD Horário esteja em plena operação em primeiro de janeiro. DE acordo com a conselheira Talita Porto, até setembro a instituição realizará eventos com os agentes de preparativos e novos contratos e armazenamento poderão ser incentivados.

PLD Horário: O momento é agora

“No Comitê do Ministério de Minas e Energia, que trata dos temas mais relevantes, esse é o que tem mais ensejado discussões. Os agentes estão querendo saber mais dele. Associações e grandes players estão usando nossos números e fazendo estudos e vendo como isso alterará suas estratégias, pelo menos os grandes players estão se movimentando. Agora estamos bem pertinho”, ressalta Talita.

Enquanto que, para Roberto Brandão, membro do Grupo de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o PLD Horário é um tema polêmico já que altera o preço do mercado livre no curto prazo. Isso cria beneficiados e prejudicados, o que por sua vez, cria ansiedade. “Ele já vem sendo testado há alguns meses, desde janeiro. Por exemplo, a operação do ONS tem seguido esse mecanismo. Na verdade, isso já vinha sendo testado antes, porque houve adiamento. Então temos dois anos de uso do PLD Horário, com uma base de dados. A CCEE já divulga uma contabilização com esses testes. O mercado já tem um ótimo conhecimento do que vai ocorrer, mas toda mudança traz uma ansiedade e um receio naturais porque haverá ganhadores e perdedores”, observa.

Como ficam as usinas eólicas?

De acordo com Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica, as usinas eólicas serão uma das mais afetadas com o início do PLD Horário. Por isso, o setor acaba de contratar um estudo para avaliar os impactos. “As usinas eólicas geram mais à noite, quando o PLD Horário tende a ser mais baixo. Não estou dizendo que elas vão ser prejudicadas, mas haverá um impacto. É essencial que haja o PLD Horário porque a matriz elétrica está mudando, se sofisticando, ganhando mais fontes intermitentes, o que cria a necessidade de uma maior precisão no mecanismo de formação de preço.”

Elbia continua “As usinas terão de buscar ferramentas para isso, ferramentas de hedge. Esse hedge pode ser físico ou comercial. O físico é fazer um parque híbrido, colocar eólica e solar no mesmo site ou implementar uma bateria. As baterias estão chegando. E existe o hedge comercial: eu posso contratar de quem está gerando na hora que eu não estou.”

Sobre o que mais esses especialistas discutiram no Giro Energia?

Pelas entrevistas, pudemos ouvir que o PLD Horário deverá entrar, finalmente, em operação em janeiro de 2021. Sua adoção marca a nova matriz elétrica, muito mais diversificada e com fontes intermitentes, como usinas solares e eólicas. Assim, ganha importância com mecanismos que possam precificar com mais precisão a energia.

Em outras palavras, sua implementação deverá trazer estímulos a vários elos da cadeia. Novos contratos no mercado livre para amenizar as oscilações diários de geração poderão ser criados. Armazenamento poderá receber mais investimentos. Parques híbridos que mesclem geração solar e eólica ganharão ainda mais espaço. Derivativos deverão também movimentar mais negócios. Ou seja, não é à toa que os bancos estão de olho na área de comercialização.

Diante desse horizonte, ficam algumas dúvidas:

  • O PLD Horário representará mesmo um marco para o setor elétrico?
  • Os contratos financeiros ganharão um novo patamar a partir dele?

As respostas para essas perguntas estão no Giro Energia! Ouça agora: