O fim de 2019 se aproxima e, como de costume em muitas culturas, a época de festas é acompanhada de presentes e superstições para iniciar o ano seguinte em busca do sucesso. Com isso eis a grande questão: se fosse destinar um desejo ao setor elétrico de 2020, qual seria o seu pedido enquanto pula as sete ondas?

Sem dúvida, se for consumidor, preços módicos na hora de contratar soaria como algo tentador, assim como para o gerador quanto maior o valor do seu produto, melhor! Mas ao longo de 2019 tivemos diversos debates importantíssimos para o setor que merecem ser levados em consideração na hora da grande escolha.

Desde a entrada de novas metodologias de aversão ao risco, com volume mínimo operativo dos reservatórios, que em situações de escassez deverão promover o despacho de térmicas de forma antecipada, até a decisão da entrada do preço horário em 2021, há muito o que pensar.

Com mecanismos de aversão a risco dos modelos dando maior peso para o armazenamento existe uma tendência de se capturar a falta de água de maneira antecipada, permitindo preservar tal recurso. Com isso os preços no período úmido podem vir a ser mais elevados, se as projeções dos reservatórios não forem das melhores, indicando que é melhor poupar para amenizar o custo da segunda metade do ano, quando as poucas chuvas exigem mais do armazenamento. O que tenderia a suavizar o desequilíbrio de preços entre as estações, a depender sempre da chuva, passará por um novo desafio em 2021 com o preço horário que deverá ser estudado por todos ao longo já do próximo ano. Ao apresentar o preço de hora em hora a variação da geração e do consumo representados nos modelos de projeções de preço trarão volatilidade ao decorrer do dia, o que trará impactos diversos a depender do perfil de consumo e geração.

Mas vamos com calma, antes de avançarmos para o que está por vir em 2021, 2020 nos aguarda com algumas decisões a serem tomadas. A regulamentação de geração distribuída está em debate, e a forma como serão reduzidos os subsídios para o consumidor que opta por produzir sua própria energia está com os dias contados, segundo o que foi apresentado até o momento pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. A nova regra com os prazos e com os detalhes do que deverá ocorrer ficou para ser aprovada no primeiro trimestre de 2020, e conta com a participação de todos agentes para se posicionarem como deverão ser alocados seus custos e benefícios. Ainda no final deste ano é aguardada a conclusão da Consulta Pública – CP nº 77 do Ministério de Minas e Energia – MME sobre a redução de demanda para acesso à energia convencional. A CP busca dar continuidade à Portaria nº 514/17 e reduzir gradativamente até 500kW a demanda mínima para acesso pleno ao mercado livre de energia.

Já no nosso Congresso Nacional tramitam temas mais abrangentes, como o Projeto de Lei nº 1917/15 e o Projeto de Lei do Senado nº 232/16, com a responsabilidade de trazerem as propostas de um novo marco regulatório para o setor elétrico, desenvolvido na CP nº 33/2017, e uma estrutura que permita a evolução do mercado com sua abertura gradual a fim de que o consumidor residencial um dia possa optar pelo seu fornecedor de energia.

E já que estamos falando em desejos, não podemos esquecer de um tema polêmico: será que finalmente teremos a tão aguardada solução para a judicialização do mercado de curto prazo na CCEE? O dilema que fez parte do nosso artigo “PL 10.985/2018: Seria a luz no fim do túnel?“, avançou e aguarda aprovação do Senado Federal. Será então no ano de 2020, após 5 anos do início das “liminares do GSF”, que teremos o acordo aprovado e o mercado destravado?

O próximo ano nos aguarda com inúmeros desafios, debates e muitas decisões a serem tomadas. E por que não começar separando um desejo ao setor elétrico? Independentemente da sua escolha diante de tantas opções, a Ecom Energia segue ao seu lado com uma equipe técnica preparada para encarar esse 2020 com os melhores estudos sobre tais mudanças e o time de Gestão focado em orientar e alertar sobre os riscos e as oportunidades do mercado livre aos seus clientes, para não deixar escapar o melhor momento de agir!