O oitavo episódio do Giro Energia traz uma análise sobre o mercado de energia e a pandemia do novo Coronavírus. No podcast desenvolvido e patrocinado pela Ecom Energia, os especialistas convidados: Renata Andalaf, da REA Consult, Robert Klein, presidente do Grupo Voltália, Robert Klein e Fernando Camargo, da LCA Consultores que atua como Project Finance de grandes grupos comentam sobre crédito a projetos no mercado livre e no ambiente.

No atual momento desafiador, as incertezas no curto prazo têm elevado os custos e reduzido os prazos. Há dúvidas se o mercado de capitais continuará ganhando espaço ou se os bancos públicos irão recuperar sua presença. Mas no médio e longo prazo a queda da taxa de juros no Brasil e o retorno de bons projetos poderão continuar atraindo investidores.

As percepções de Renata Andalaf

Para a assessora financeira, Renata Andalaf, mesmo com todos os desafios, com o petróleo em queda recorde, o interesse se mantém alto. Com escritório na Alemanha, ela trabalha com investidores internacionais interessados em colocar seu dinheiro em projetos renováveis no mundo, com destaque para o Brasil. “Não há razão para se duvidar do potencial do mercado brasileiro e do potencial da demanda, uma vez que houver a retomada da atividade econômica. Diante desse cenário, o financiamento fica mais caro. Contudo, os financiamentos junto aos bancos públicos deverão ser menos impactados. A grande perda é que fica interrompido o processo de abertura de mercado que estávamos vendo nos últimos tempos. Agora fica mais difícil avançar nesse sentido”.

Comentários de Fernando Camargo sobre o assunto

O sócio da LCA Consultoria, Fernando Camargo, que atua na estruturação de projetos de grandes grupos, também prevê dificuldades no mercado de crédito até o fim do primeiro semestre, em razão das incógnitas quanto à recuperação da economia. “O setor deve dar uma travada, por ora, porque se veem riscos em todos os lados. O mercado deve ficar travado por um tempo. Pode levar dois a três meses ou até mais. E no livre fica a dúvida sobre onde vai estabilizar essa demanda. As indústrias estão sofrendo muito, tem indústria de bens intermediários com queda de 70% da demanda”, destaca.

Robert Klein compartilha suas experiências

Um dos principais vencedores dos leilões de energia de 2019, o grupo francês Voltalia prevê investir um bilhão de reais no Brasil nos próximos anos. O mercado livre tem sido um dos motores da expansão da empresa. Bancos públicos e debêntures poderão financiar os projetos. É o que compartilha conosco o seu presidente, Robert Klein.

“Nosso portfólio tem crescido com força no Brasil. Hoje estamos com 1,2 GW de projetos no mercado regulado e no mercado livre de médio e longo prazos que serão entregues nos próximos anos. Temos observado uma migração de consumidores para o mercado livre e tem havido, entre os grandes consumidores, a renegociação para que eles aumentem participação em projetos de fontes renováveis. Por outro lado, há a disputa dos desenvolvedores também. A tecnologia tem avançado e os custos têm caído. Há probabilidades maiores de que esse preço suba e não caia mais. Por uma série de razões: há um boom no mundo e o Brasil está disputando com outros países, como compra de turbinas e painéis, pode ter aumento de equipamentos.

Sobre o que mais esses especialistas discutiram no Giro Energia?

As incertezas atuais poderão mudar a dinâmica de crédito do setor elétrico. A crise está levando a uma postura mais cautelosa dos bancos privados. Já os bancos públicos, como o BNDES, poderão ter um papel mais ativo para aumentar a liquidez no sistema.

  • Os bancos públicos irão mesmo recuperar seu espaço como principais financiadores do setor elétrico?
  • Quanto às instituições financeiras privadas, elas farão apenas um recuo temporário?
  • Como ficará o crédito no Brasil no segundo semestre: mais caro e com prazos mais apertados?

As respostas para essas perguntas estão no Giro Energia! Ouça agora: