A pandemia da COVID-19 tem causado, nas regiões mais afetadas, medidas de isolamento social, sendo um dos impactos do Coronavírus, o cenário de ruas, parques, shoppings e centros comerciais vazios nessas cidades. Essa condição deixou ainda mais evidente a dependência da população em geral pela energia elétrica, um insumo extremamente necessário e importante, que atrelado à tecnologia, possibilita, em momentos como esses, que os indivíduos possam continuar trabalhando, seja por home office – através de serviços realizados por sites e aplicativos, seja para educação, lazer ou entretenimento.

Se por um lado a procura “individual” aumenta, do ponto de visto macro, o que se percebe é uma grande queda no consumo de energia elétrica, visto a redução ou paralização das várias atividades industriais, consideradas como não essenciais para a atual conjuntura, afim de evitar ao máximo a reunião e as aglomerações de pessoas para reduzir as chances de transmissão e contágio do Coronavírus. Segundo estimativa da International Energy Agency (IEA), em países que adotaram rígidas medidas de confinamento, a redução chega em média a 15% da demanda. Tal quadro acarreta, consequentemente, uma queda no PIB destes países.

Os impactos do Coronavírus em terras brasileiras

No Brasil, o cenário que se desenha não é muito diferente. Com o olhar voltado para o setor elétrico, conforme informação disponibilizada pela Operador Nacional do Sistema (ONS), espera-se para 2020 uma redução na carga de 0,9% em comparação ao ano de 2019.

Os geradores de energia elétrica também são impactados pela crise que se apresenta, visto que a redução do consumo provoca diretamente, como era de se esperar, a redução da necessidade de geração das usinas para o suprimento da carga. Isso poderá reduzir principalmente a geração das usinas despachadas pelo ONS, aumentando a representatividade das fontes intermitentes na matriz.

Em relação à expansão do parque gerador, a conjuntura atual acarretou no adiamento por tempo indeterminado dos leilões de energia existente “A-4” e “A-5” e os leilões de energia nova “A-4” e “A-6” promovidos pela ANEEL que seriam realizados em 2020. A decisão do adiamento acertada e já esperada, visto que esse cenário dos impactos do Coronavírus atrelado à alta do câmbio, poderia ocasionar, respectivamente, uma demanda retraída e uma dificuldade de precificação pelos proponentes vendedores nos certames. Quanto à gestão de geradores que comercializam energia no Ambiente Regulado, esse assunto foi discutido nesse artigo:Gestão de usinas no ambiente de contratação regulado”.

Uma boa gestão se faz ainda mais necessária em momentos de crise

A redução da carga, devido à Covid-19, atrelada à condição hidrológica favorável, contribuiu para o aumento do volume de água armazenado nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Esse cenário,  ocasionou queda no PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), o qual atingiu o piso nessa semana,  reduzindo, por consequência, os preços de compra e venda de energia no Mercado Livre. Para os geradores, é momento de reavaliar estratégias para entender o melhor período de venda de energia àqueles que estão descontratados ou que possuem sobra para negociar mês a mês. Sobre a ótica inversa, é um bom momento para as usinas realizarem possíveis compras de energia, seja por motivo de recomposição de lastro ou mesmo para opção de proteção contra uma previsão de geração frustrada – como pode ser o caso das usinas hidrelétricas localizadas no Sul do país, única região que vai na contramão da hidrologia favorável mencionada anteriormente.

Já no mercado regulado, para as usinas que venderam energia às distribuidoras por meio de leilões, a atenção está voltada para o fato que algumas dessas distribuidoras notificaram suas contrapartes no início dessa semana sobre a possibilidade de evento de força maior causado pelo Coronavírus, visto que a queda no consumo pode prejudicar cumprimento dos contratos. Essas notificações têm caráter mais preventivo e certamente as discussões chegarão no âmbito do regulador – ANEEL. É necessário acompanhar de perto esses desdobramentos.

O horizonte a curto prazo pode não ser dos mais favoráveis, mas é não é momento para desespero. Fato é que a situação de crise vai passar e é necessário se pensar no equilíbrio do setor como um todo. As estratégias a serem adotadas nesse momento são muito importantes e a Ecom Energia conta um time capacitado de especialistas que podem auxiliar desse momento. Entre em contato.