A GD Solar ou Geração Distribuída Solar alcançou um novo recorde. De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), já foram instalados quase 2,5 gigawatts de potência no Brasil. De fato, residências, bancos, indústrias estão investindo no segmento, que tem tido uma forte expansão.

No entanto, o mercado está em compasso de espera, em razão da disparada do dólar, a expectativa de mudanças nas regras e as incertezas atuais sobre demanda. Contudo, há diversas oportunidades no médio e longo prazo, ainda mais com a tendência de alta de tarifas no mercado regulado. Para entender os desafios e as oportunidades, o décimo episódio do Giro Energia, o podcast desenvolvido e patrocinado pela Ecom Energia, conversou com André Pepitone, diretor-geral da ANEEL; José Ricardo Forni, diretor de Suprimentos, Infraestrutura e Patrimônio do Banco do Brasil; Alexandre Bueno, sócio da Sun Mobi; e o sócio da BF Capital, Renato Sucupira.

O que dizem os especialistas sobre a GD Solar?

De acordo com José Ricardo Forni, diretor de Suprimentos, Infraestrutura e Patrimônio do Banco do Brasil, a instituição tem um projeto de geração distribuída solar para ser inaugurado em junho ou julho, além de outros sete que estão sendo contratados e que irão responder por quase 450 agências.

Certamente, o Banco do Brasil está investindo fortemente em geração distribuída solar. A instituição espera uma economia de quase 300 milhões de reais ao longo de 15 anos. Isso representa cerca de 20% do consumo do banco. De acordo com o executivo, a alta do dólar teve impacto sobre retorno e atratividade, o BB não está mudando de plano. Já sobre a Resolução 482, tão relevante para o setor, que saiu um pouco do foco da Aneel por conta da negociação de socorro ao mercado regulado, o executivo afirma: “Esse assunto estava mais quente, mas a agenda regulatória mudou. Hoje outros assuntos se tornaram prioritários. Nós somos um agente desse mercado. Estamos observando. Como está hoje tem atratividade. Algumas mudanças em discussão poderiam reduzir essa atratividade, mas é preciso aguardar”, comentou.

Sobre a Resolução 482, André Pepitone, diretor geral da ANEEL, destacou: “A agência sabe que o foco mudou, mas temos a certeza de que temas como a geração distribuída e a modernização do setor, a eficiência energética e melhorias não podem ser deixadas de lado porque são importantes para que o setor elétrico passa sair ainda mais robusto da crise”.

Sobre a Geração Solar Compartilhada

A Sun Mobi, que atua com geração solar compartilhada, está buscando captar recursos para levar adiante duas miniusinas que seriam instaladas no Estado de São Paulo. A incerteza atual apenas postergou o planejamento, mas ele continua de pé, segundo o sócio Alexandre Bueno. As tarifas no mercado regulado devem aumentar com o socorro às distribuidoras. “Isso deve manter a atratividade em alta da GD solar. Quanto mais o custo da energia aumenta, mais fica atrativo a solar, ainda mais porque ela é uma alternativa para um mercado regulado em que o consumidor desse ambiente não tem espaço para gerenciar esse custo”, avalia.

Quais os impactos da Covid-19 para a GD Solar?

Por fim, para completar o episódio, Renato Sucupira, sócio da BF Capital, que estrutura projetos na área de infraestrutura, analisa os impactos que a pandemia da Covid-19 terá no segmento de geração distribuída solar. “A incerteza atual terá impacto sobre o segmento, mas os custos de implementação da GD solar vinham caindo quase diariamente nos últimos anos, então a queda nesse segmento poderá ser menor que em outros. O ano pode terminar em queda de 4% a 5% nesse ano, com a carga bem deprimida até o inverno”, finaliza.

Sobre o que mais esses especialistas discutiram no Giro Energia?

Sem dúvida, pelas entrevistas pudemos ouvir que o sol deverá continuar brilhando na matriz elétrica nacional no médio e longo prazo, mesmo que diante das nuvens passageiras. No momento em que, a maior incógnita se refere ao dólar. O câmbio tem peso sobre a importação de painéis fotovoltaicos e outros equipamentos usados nas usinas. Posto que, a maioria dos projetos licitados no ano passado tinha como referência um dólar 50% abaixo dos quase seis reais apurados em maio.

A incógnita cambial se soma à incerteza regulatória. A agenda do setor mudou. A prioridade é atenuar os efeitos financeiros da pandemia no ambiente regulado. Isso pode fazer com que a discussão sobre a revisão da norma 482 ser adiada para o próximo ano.

Ao investir na solução, as empresas ganham maior visibilidade de gastos na conta de luz, em um momento em que se discutem aumentos tarifários no ambiente regulado.

Diante desse cenário, ficam algumas perguntas:

  • Quando o câmbio se estabilizará?
  • Quando será definida a nova regulação sobre o segmento?
  • A alta das tarifas no mercado regulado irá estimular a expansão mesmo do segmento?

As respostas para essas perguntas estão no Giro Energia! Ouça agora: